terça-feira, 15 de outubro de 2013

Software Livre
Caro(a) cursista, você percebe que isso aponta para uma forma inusitada de pro­duzir coisas e de ser e estar no mundo? Sim, há quem trabalhe assim, em comunidade e distribuindo conhecimento de forma livre. Por todo mundo, há milhões de pessoas desenvolvendo o Linux, por exemplo, e mais uma variedade enorme de programas para computador.
É a comunidade do Software Livre. Essas pessoas produzem programas, textos e mais uma enorme variedade de produtos e os colo­cam na rede, disponíveis para quem quiser usar. Assim, se alguém precisar, é só pegar. Pode pe­gar e usar, modificar, distribuir, ensinar. Para es­sas pessoas, o conhecimento é livre, pois a pro­dução pertence à humanidade e deve ser usada para a melhoria da qualidade de vida e amplia­ção dos direitos e possibilidades de todos.
Vale a pena tentar, pois temos muito a apro­veitar na escola fazendo parte dessa comunida­de. A pergunta imediata que surge é: de que vi­vem essas pessoas se distribuem de graça o que fazem? Na verdade, elas ganham para produzir e não ganham pelo produto que vendem. Como assim? Elas ganham, portanto, quando são con­tratadas para ensinar como pode ser usado o que fazem. O que gera renda é o trabalho, e não o produto do trabalho. Depois de feito, o produto serve a quem o encomendou e a quem mais quiser usá-lo. Fica disponível para que outros possam não só usar, mas também modificar e aprimorar. E aí ganha também quem pagou pelo desenvolvimento inicial.
Como o produto é aprimorado pela comunidade, o seu patrocinador, que contratou um desenvolvedor para produzir o que necessitava, ganhou, junto com o produto, uma enorme comunidade de interessados em usar e aprimorar o produto pelo qual pagou o desenvolvimento inicial. Ganham todos e em grande escala.
Atualmente, há dezenas de milhões de usu­ários e programadores que desenvolvem e ava­liam esses sistemas. Que empresa poderia pagar um staff assim? Nenhuma. Os programas são, por isso, desenvolvidos com tanta rapidez e são tão robustos. É muito grande o número de pro­fissionais avaliando-os e consertando-os todo o tempo.
A outra questão que não quer calar: mas, assim, ninguém fica rico? Bem, a ideia é acumular outras riquezas, tais como conhecimento e sabedoria. E a escola, o que tem a ver com isso? Para começo de conversa, é preciso, urgentemente, aprender a viver em um mundo que produz assim. Aqui, temos um caso curioso de ampla colaboração que visa à capacitação de grupos de pessoas para que participem de uma feroz competição.
Há, evidentemente, uma disputa acirrada por quem vai deter o direito de manusear e distribuir informação e conhecimento. Empresas buscam ocupar mercado e, se possí­vel, construir monopólios e oligopólios. Ao mesmo tempo, por outro lado, comunidades de produtores buscam combater essa perspectiva, por isso constroem comunidades que sejam capazes de produzir coletivamente e distribuir conhecimento de forma equitativa.
Não há um lado bom, nem um lado mau. Há, pois, o direito à escolha. Cada um es­colhe como e com quem prefere viver.


Glossário
Staff: é um termo que foi adotado em muitas empresas e significa o grupo de pessoas que trabalham nela, ou os recursos humanos  Nesse caso, os programadores e avaliadores de sistemas.
 


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