Software Livre
Caro(a)
cursista, você percebe que isso aponta para uma forma inusitada de produzir
coisas e de ser e estar no mundo? Sim, há quem trabalhe assim, em comunidade e
distribuindo conhecimento de forma livre. Por todo mundo, há milhões de pessoas
desenvolvendo o Linux, por exemplo, e mais uma variedade enorme de programas
para computador.
É a
comunidade do Software Livre. Essas pessoas produzem programas, textos e
mais uma enorme variedade de produtos e os colocam na rede, disponíveis para
quem quiser usar. Assim, se alguém precisar, é só pegar. Pode pegar e usar,
modificar, distribuir, ensinar. Para essas pessoas, o conhecimento é livre,
pois a produção pertence à humanidade e deve ser usada para a melhoria da
qualidade de vida e ampliação dos direitos e possibilidades de todos.
Vale
a pena tentar, pois temos muito a aproveitar na escola fazendo parte dessa
comunidade. A pergunta imediata que surge é: de que vivem essas pessoas se
distribuem de graça o que fazem? Na verdade, elas ganham para produzir e não
ganham pelo produto que vendem. Como assim? Elas ganham, portanto, quando são
contratadas para ensinar como pode ser usado o que fazem. O que gera renda é o
trabalho, e não o produto do trabalho. Depois de feito, o produto serve a quem
o encomendou e a quem mais quiser usá-lo. Fica disponível para que outros
possam não só usar, mas também modificar e aprimorar. E aí ganha também quem
pagou pelo desenvolvimento inicial.
Como
o produto é aprimorado pela comunidade, o seu patrocinador, que contratou um
desenvolvedor para produzir o que necessitava, ganhou, junto com o produto, uma
enorme comunidade de interessados em usar e aprimorar o produto pelo qual pagou
o desenvolvimento inicial. Ganham todos e em grande escala.
Atualmente,
há dezenas de milhões de usuários e programadores que desenvolvem e avaliam
esses sistemas. Que empresa poderia pagar um staff assim?
Nenhuma. Os programas são, por isso, desenvolvidos com tanta rapidez e são tão
robustos. É muito grande o número de profissionais avaliando-os e
consertando-os todo o tempo.
A
outra questão que não quer calar: mas, assim, ninguém fica rico? Bem, a ideia é
acumular outras riquezas, tais como conhecimento e sabedoria. E a escola, o que
tem a ver com isso? Para começo de conversa, é preciso, urgentemente, aprender
a viver em um mundo que produz assim. Aqui, temos um caso curioso de ampla
colaboração que visa à capacitação de grupos de pessoas para que participem de
uma feroz competição.
Há,
evidentemente, uma disputa acirrada por quem vai deter o direito de manusear e
distribuir informação e conhecimento. Empresas buscam ocupar mercado e, se
possível, construir monopólios e oligopólios. Ao mesmo tempo, por outro lado,
comunidades de produtores buscam combater essa perspectiva, por isso constroem
comunidades que sejam capazes de produzir coletivamente e distribuir
conhecimento de forma equitativa.
Não há um lado bom, nem um lado mau. Há,
pois, o direito à escolha. Cada um escolhe como e com quem prefere viver.
Glossário
Staff: é um termo que foi adotado em muitas empresas e
significa o grupo de pessoas que trabalham nela, ou os recursos humanos Nesse
caso, os programadores e avaliadores de sistemas.
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